Sua culpa

(Vou fazer trinta - texto n. 27) - Sua culpa

 

Sempre vejo no twitter as pessoas falando que sentem saudades daquilo que não viveram. E sempre achei isso uma balela, conversa de maluco… coisa de quem não valoriza os bons momentos que passou. Mas hoje, uma amiga tuitou sobre isso e eu, sem pestanejar, dei errete. Concordando em gênero número e grau…

Sempre valorizei meu passado e seus aprendizados, as risadas e as lágrimas cravadas no coração. Achei que o passado era suficiente pra me sentir saudosa.

Filosofei que poderia ser a frustração daquilo que poderia ter sido e não foi. Do romance mal resolvido, do amor não declarado, da ligação que não fizemos. Do perdão que não houve, do olhar pra trás na despedida que não existiu, do abraço que não foi oferecido.

Achei que minha história se fazia dele e que o futuro estava logo ali na frente. Sem planos, nem expectativas. Ele vem… tão certo quanto a morte, o futuro está ali. No dia seguinte, nas próximas horas.

Achei que desejar o porvir fosse esquecer as pessoas do passado. Que fosse deixar a memória do bom valendo centavos.

Talvez por ser uma pessoa calma, dou um passo de cada vez. Não me preocupo antes do tempo, não me descabelo com o que não tem solução e fielmente acredito na bondade divina.

E hoje a ficha caiu. O que sinto é saudades… exatamente daquilo que ainda não vivi e não do que deixei de viver. Porque sei que será melhor que ontem. Saudades daquilo que imaginei, da paixão que está pra acontecer. Poderia ser ansiedade ou medo, mas não… Sinto o cheiro, o toque, a voz, a pele… é real. Só que ainda não é concreto.

Querer o dia de amanha é ter esperança e não ser covarde ou ingrato. É somente querer o amanha agora. Pra ontem. Ele já faz parte de mim.

 

“Não dá pra não pensar em você, tá cada vez mais difícil não poder te ver” (DEVASSA, sandy)

Cadê as molas, meo?

Quando você se pega pensando se Aguilera ou Beyonce tem maior potencia vocal, talvez acredite piamente ser um jurado do American Idol ou o vovô Raul Gil, sei lá… mas não! Quando você chega nos vídeos das divas no youtube, tu tá na fossa. Descobre que a Whitney Houston ficou com a boca torta e agradece por não ter se afundado no crack. Liga pro seu psiquiatra dizendo que o ama DEMAIS e diz estar muito satisfeita com os antidepressivos que te afastaram do álcool. Também acha um vídeo de Celine cantando com Elvis e pensa se realmente ele não morreu. Observa atentamente o efeito sanfona de Mariah e, novamente, ajoelha-se e diz: Deus, obrigada por ter me tirado a fome. Dentre todos, vê Aretha cantando com as poderosas americanas e se pergunta se ela ainda está entre nós. Se encanta com os vídeos dos populares tentando alcançar um agudo, das crianças com um tom meio estranho… Tente não ouvir Titanic, porque né… o mocinho morre no final, não te dará muita esperança…

Calma, tu não ta muito ruim não… se ainda não ultrapassou a fronteira dos clips decentes e in live, ok… respire no saquinho e dobre a dose do remédio. Agora, se você já está vendo aqueles slides mal feitos ou uma música evangélica interpretada por um ex presidiário te colocou lágrimas nos olhos ou você tem preferido as músicas com legendas em efeito especial, cuidado… talvez o próximo passo seja a janela. Não tente overdose medicamentosa. É muito sofrido e no hospital todos vão ficar te olhando como o suicida mal sucedido que acabou de sofrer uma lavagem (ela pode não ser pela boca). E de mal sucedido já basta o romance que te deixou na fossa. Recomendo ficar longe de malabares nessa fase.

Mas o mais difícil não está em sofrer sozinho nos labirintos da internet. Quando você cria um grupo para debater o assunto, se distingue fácil fácil quem está com o sexo em dia: as recalcadas dizem que ele não te merece. ALOU, ele te larga porque é melhor que ele? Não foi assim que o professor da pós em negócios me ensinou. As maduras te pedem calma, tempo. CALMA O CARALHO… meu nome é Zé pequeno #RA.

O vácuo é mortal, nada mais destruidor de auto-estima do que o vácuo… prefiro tapa na cara, chicotinho meio sadomaso, mas ignorar, ui… fodalhes. Nessas horas você aprende a dar valor aos seus amigos galinhas AND boêmios que só te dizem uma coisa: mude o cabelo, perca uns 3 quilinhos e de uma desfilada com um amigo bunitao por ai, aproveite e de uns beijos pra lembrar que tu ta viva. Pronto, amanha de manha ele saberá que tu já não choras SÓ por ele… ele não precisa saber que o choro pelo bunitao é devido ao fato de você não ter tido tesão nenhum pelo cara.

Ah, importante… nem sempre o exílio é possível. Uma hora é necessário ir a padaria comprar cigarro ou a farmácia comprar drogas. Então, seja discreta: vá de tênis, prenda o cabelo que não é penteado há dias e ÓCULOS nozoio. Se teu porteiro perguntar porque estava sumida, diga que está numa maratona sexual. Se o manobrista perguntar se está tudo bem, diga que morreu alguém. Não mate a vó, nem a mãe. Quando elas morrerem de verdade, você não vai lembrar dessa mentirinha boba.

Não sonhe em comentar seu estado com os amigos próximos, porque, quando vocês voltarem vai ter que aturar esse povo te chamando de burra. Importante manter as aparências e dizer que as agendas estavam conturbadas (PLIM PLIM feelings) e por isso vocês deram um tempo. Jamais assuma, nem pra si mesma, que ele poderia ter sido mais bacana com você. Porque o julgamento alheio é uma coisa, mas o espelho é crucial. Se apegue nos merchans e repita pra sim mesma: quem ama bloqueiaaaaaaaa, quem ama bloqueiaaaaaaa.

Uma boa desculpa é dizer que fez uma lipo: justifica o sumiço, os quilos perdidos, o afastamento do álcool e de revesgueio ainda faz parecer que você seguiu a vida e está investindo em você.

Blah blah blah à parte e depois de tantas perguntas sem respostas a única que realmente importa é: por que Deus colocou molas no poço da Galisteu e no meu não?

Arrependimentos

(Vou fazer trinta - texto n. 26) - Arrependimentos

 

Esses dias eu falei de regras: faze-las, quebra-las e não te-las e, como acontece muitas vezes, os assuntos se misturam. Ao dissertar sobre, fui me dando conta de que estava arrependida, muito arrependida. Mas eu não sabia ao certo do que.

Quem me conhece sabe que eu não admito erros. Sou uma pessoa extremamente intolerante. E, lógico, cheia de defeitos. Como não sou cientista, a maioria das coisas que faço, no meu trabalho ou na cozinha, são coisas que outras pessoas já fizeram: tem etapas e ingredientes pré-estabelecidos. Eu não invento receitas novas… depois que inventaram o google, eu acho um pecado pedir pizza! Sim sim sim, você pode colocar seu toque pessoal num bolo ou aperfeiçoar um processo. Mas nós, simples mortais, partimos de um norte.

Não suporto jogar tempo fora. Essa é uma história que eu não vou contar nunca aqui (a long time ago  numa entrevista de emprego que acabou virando um pelamordedeus casa comigo – NÃO VOU CONTAR).Enfim, nesse evento eu descobri a palavra ACERTIVIDADE e nunca mais a abandonei. Quando a gente erra, a gente joga tempo fora (FERNANDA, Liz). And, time is money (PATINHAS, Tio).

Você achou que eu confundi os assuntos neh? Nananina não… alguém se arrepende de ter feito um bolo delicioso? E se você se distrair com o seu ponto cruz (P R E N D A D A) e deixar queimar o bolo? Vai se arrepender de ter tentado ser multitarefas-descasca-cola-bate-penalti-walita. Estou falando de bolo porque não vou contar nenhuma história minha, nem sua, nem de ninguém… Bolo fica mais democrático. Você queria bolo, mas te sobrou o bordado.

Não basta tentar acertar… o mundo tá ai cheio de cagadas por que as pessoas fazem tentativas… tudo no meia boca, no mais ou menos, no nem 8 ou 80. Existem sim contratempos, imprevistos… Mas disso falarei lá no capitulo 472 – Desastres Climáticos.

Exemplo: sou convidada para uma festa. Nunca me ouvirão dizer: tentarei ir. Eu digo sim ou não, no máximo que eu preciso verificar meus horários. Pode acontecer de eu falar sim e não conseguir comparecer, mas somente em casos que estão explicados com figurinhas no capitulo 472.

Sabe por que eu não vivo de tentativa? Porque tentar não me diz nada. Quando eu penso na palavra tentar, me remete aquela coisa do “o importante é competir”.

E pensando nos arrependimentos da minha vida, me vêm à mente tentativas. Me arrependo de ter terminado um noivado. Não por não ter casado, mas por ter tentado ser esposa. Me arrependo de ter demorado tanto pra me formar. Não porque o tempo me fez falta, mas porque eu tentei me convencer de que aquele diploma era importante. Me arrependo de ter comprado uma girafa pra colocar em cima da minha geladeira. Não porque não gosto de girafas, mas porque fico tentando me convencer de que ela é um pingüim. Eu não precisava do noivado, nem da faculdade que eu nunca quis fazer, nem da girafa.

E agora eu percebo o que realmente me incomodava no texto anterior: eu estava decepcionada comigo mesma. Não por ter quebrado as regras, mas por ter tentado segui-las. Eu não precisava delas!

Fabio Jr e as regras

(Vou fazer trinta - texto n. 25) - Fabio Jr e as regras

“Nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos… blah blah blah 20 e poucos anos”.

Por que tem gente que tatua nome de macho e não tatua ‘issae’ na testa? Além da Cléo Pires, o véio fez outra coisa boa: te deu a dica para uma vida feliz e saudável, mas você fica escutando música sertaneja (eu eu eu) e não aprende nada. Se prende na música da metade da laranja e o que é importante deixa passar.

Eu sei que vou fazer 30 (trinta textos e trinta anos), mas ainda tenho 29 e me encaixo nessa letra ‘ae’. A imaturidade e pseudorebeldia dos adolescentes são assim: vem comigo que eu tenho um plano e nada tirará meu foco. Claro que quando vamos vivendo e vivenciando diversas experiências, tudo isso se torna promessas, as regras são quebradas, as leis são infringidas e sua mãe estava errada.

Vamos falar de regras. Não simplesmente regras, vamos divagar sobre as nossas próprias regras. Poderia ser princípio, mas não é a palavra adequada. Na minha vida há 5 regras, vou compartilhar 3 com vocês: 1) é um por turma (um ‘omi’ por turma), 2) não tomo ácido (porque dizem que ele pode alterar a estrutura do DNA dos óvulos da fêmea), 3) não levo meu note pra cama (pra não piorar a insônia).

E Fabio Jr, assim como sua mãe, não estava errado. Ao estabelecermos limites na nossa vida, estamos criando um muro entre nós e a frustração. Porque por mais que você ache Freud alucinado e queira transcender barreiras, você sabe do que precisa. Você sabe o que te alimenta e o que te consome. Mais ou menos seguindo a linha do “nem sempre nos fazemos bem”, okay… Mas quando quebramos regras, estamos quebrando a cara!

Detonar com as regras da sua vida é mais ou menos fazer uso daquela infeliz frase: não me arrependo de nada que fiz, prefiro o tombo do que a incerteza de não ter feito. WHAT??? Tá ali na sua frente e você resolve desvendar um dos enigmas dos desenhos animados: a teoria da casca de banana. Então, você se distancia da casca, se posiciona, dá uma respirada estilo Hortência, pega velocidade e voilá: se espatifa no chão. Ai (suspiros), quanta burrice!! Você pode ter a sorte de cair de bunda, como pode ter o azar (bem feito) de dar de cara no chão.

Então, num ataque de “alopração”, você utiliza mais um ditado que não vale pra nada na vida: toda regra há uma exceção. E a exceção é quem? Quem? Quem? Um terceiro, nunca você! Alguém que não conhece tuas regras, mas principalmente alguém que você não conhece. ‘Meo’, tua vida não é gramática! ‘Dae’ caímos naquele looping ad infinitum do terceirizar coisas. Autoflagelação é tão idade média, tão peregrinação de loser. Muito mais IN colocar a culpa em alguém.

Não estou falando em ter uma vida estática, morna, não é isso. Para quebrar uma regra, tire-a do rol de regras, tão simples. Não é trapacear, isso na verdade é evoluir. Mas enquanto sua regra for lei, tente cumpri-la. E se você não tiver muita disciplina, muito amor próprio, não as divulgue, também não as tenha. Pior do que ouvir sua mamis dizendo “eu avisei”, é encarar a si mesmo.

Eu aboli todas as regras, cansei delas. Mentira… Num ataque de cegueira quebrei uma delas, tá tá tá, quebrei duas e agora, babau, preciso quebrar as outras: tomar ácido pra sorrir e levar o note pra cama porque de lá não quero sair (vem ‘genthy’, fazer rima comigo). Ai que difícil que é crescer!!! Esse negócio de ser madura funcionava quando eu era rebelde e ganhava mesada, mas agora destruí tudo isso e preciso de uma listinha besta, preciso de regras bobas: não tome refrigerante, não passe por debaixo da escada, não use azul nas terças feiras, não coma carne de avestruz albino…

Disney sem Mickey

(Vou fazer trinta - texto n. 24) - Disney sem Mickey 

Era uma vez uma moça que, devido ao sucesso da indústria cinematográfica, fonográfica AND pornográfica com o uso da imagem das princesas em quadrinhos e Cia. Ltda., ficou esquecida no castelo do faz de conta. Ela não era nada. Nem dorminhoca como a Bela Adormecida, nem linda como a Branca de Neve, nem prendada como a Cinderela. Nem tinha a vasta e brilhante cabeleira loira da Rapunzel, nem o dinheiro da Fiona… Talvez um pouco generosa como a Bela, mas não peituda como a Pequena Sereia. Também não era viúva como a bruxa da maçã - sim, pus a bruxa aí porque mulher viúva tem seu valor, já casou e tal, alguém quis, às vezes até recebe pensão. Também não era perfeita, nem linda, nem virgem, nem nerd. Era normalzinha! Meio rebelde sem causa, morava sozinha numa das torres do castelo, e lá vivia grudada num frigobar que fazia bastante gelo.

Não fazia muita coisa da vida, só jogava muito tempo fora. Em seu quarto havia uma prateleira com o diário de todas as suas primas princesas… Era uma tradição de família lê-los… Todas as rebentas que nasciam faziam isso e aprendiam muitas coisas. Ela não! Fingiu que os diários não existiam e julgou-se superior, preferiu escrever suas próprias linhas tortas.

Meio cansada de passar corretivo e rasgar folhas de sua vida, resolveu dedicar-se à leitura de toda aquela coletânea presente em sua prateleira, antes que as traças literalmente traçassem tudo, e finalmente descobrir o porquê de todos eles acabarem em Felizes Para Sempre.

Ela adoraria começar do começo, porque pode não ser perfeita, mas é um pouco esperta e, como suas primas também deveriam ser, a última história talvez beirasse a perfeição. Por isso, resolveu ler os diários um a um, aprendendo uma lição de cada. Mas, não havia datas nos manuscritos e talvez Rapunzel fosse mais velha do que todos pensavam… Organizou por escala de cor, acendeu um cigarro, pôs seus óculos e estirou-se em seu puff…

O primeiro que escolheu foi o da Branca de Neve: moderna para sua época, usava um corte chanel, inspirada na prima Cleópatra, provavelmente. Seu diário era delicado como sua dona. Nas entrelinhas, percebeu-se uma garota inocente, sem malícia… Seu lado materno também era gritante. Num determinado ponto de sua vida, ela tomou uma dose cavalar de zolpidem e ficou esperando um lindo príncipe aparecer para acordá-la daquele pesadelo bored de lavar AND passar AND cozinhar pros pequerruchos, e transformá-la em esposa. Boa menina, foi atendida pelas fadas da família. Feliz Para Sempre.

O segundo que leu era azul, a cor favorita de sua dona, provavelmente. Cinderela era seu nome. Levou uma vida meio lazarenta e foi parar na casa de uma tia meio quenga, com umas filhas mais quengas ainda. Essa tia era da parte baixa renda da família e fez Cinderela de escrava, ainda que a prima Isabel já houvesse libertado as negras. Cinderela era linda, loira e trabalhadora. Viciada em ácido, imaginava que seu fusca fosse uma abóbora. Era estabanada também e não tinha muita classe, por isso perdeu aquele seu sapatinho. Sortuda, foi encontrada pelo príncipe. Mais uma vez as fadas da família mexeram suas varinhas… Cinderela esfregou muito chão para ser solteira. Ela era da elite. Feliz Para Sempre.

Aurora, a dorminhoca, é autora do terceiro caderninho. No dia de seu nascimento as fadas safadas foram visitá-la e, porque encheram a cara de vinho, fizeram nhaca. Por isso,  sua benção foi grande… Não precisou estudar nem perder a virgindade com um aborrecente maluco de cabelo ensebado, nem teve cólicas intermináveis. Ficou morando na floresta até ser devolvida para casar com outro. Lindo e rico tumem… Muito curiosa, mas também esperta, dormiu na fase chata da vida. Blah blah blah, mais pauzinhos das fadas e ‘tcharam’: despertou no melhor da vida, com um beijo delícia do delícia que amava. Feliz para Sempre.

Ariel, leitura número 4: sobrevivia sem oxigênio e era empreendedora… Sozinha, com a ajuda de seus lindos cabelos ruivos e seus seios volumosos, reergueu os Estúdios Disney, que estavam mais pra lá do que pra cá. Também beijou na boca, também casou. Feliz Pra Sempre.

Nossa, a próxima leitura não é um livro e sim um pen drive numa capa falsa: Fiona sempre surpreende! Tirando o fato da ogrisse que todos conhecem, e que muitas vezes se faz desnecessária, Fiona apresenta uma característica muito peculiar dentre todas as mocinhas: ela é fértil, bem fértil. Também aceitou ser verde pra sempre, isso é uma prova de amor imensa. Verde: a cor ingrata. Feliz Pra Sempre.

Próximo, a “leitura” mais colorida: o diário da Rapunzel. A princesa encalhada ficou pensando qual das primas, em qual parágrafo, disse que cabelo muito comprido é muito sexy? Linda, pura e otimista… Uma das mais perfeitas herdeiras da família. Cegou seu homem de paixão. Mais pelo moço do que por ela, as fadinhas se manifestaram novamente. Feliz Pra Sempre.

Eis que chega a vez da leitura da mais linda história de amor da família. O caderno mais lindo, um moleskine com dedicatória da Fera, chiquérrimo. A mais bem escrita também. Pois Bela amava literatura. Por isso sua perfeição, eu acho que aprendeu em todas as fábulas e contos o necessário pra vida real. Bela: abnegada, generosa, altruísta, despida de vaidades. Recebeu a difícil tarefa de revelar o mundo a um homem preso entre dois submundos. Como recompensa dupla, as fadas lhe deram um presente duplamente perfeito: de beleza física e um amor puro. Feliz Para Sempre.

 

Mas, hoje, as princesas acham meio FAIL fingirem-se de mortas para não ver certas coisas, como fizeram Branca e Aurora. Acham meio caro perder um sapato numa escadaria de balada, como fez Cinderela. Acham meio trabalhoso segurar a onda de um amor que passa por dificuldades, como Ariel. Acham meio totalmente OUT esperar o sapo virar príncipe, como fez a Bela, ou assumirem que são sapo, como fez Fiona. Acham meio submisso dar sua vida por um amor, como fez Rapunzel. Acham meio muita coisa na verdade…

 

Os contos de fada não são contos de fada, até porque quem passa o perrengue não são as fadas. São feitos por pessoas de carne e osso que, de maneira inconsciente ou proposital, passam uma mensagem subliminar… Nem as princesas de verdade vivem contos de fada. Lembram da famosa frase do Charles: eu queria ser o seu tampax. Lembram? Percebem o romance? O que você acha que a Princesa Diana fez? Pos sua coroa e ficou rezando pra feiosa nunca mais menstruar? Existem muitos contos sem princesa. Há Alice, Chapeuzinho Vermelho, Xuxa contra o Baixo Astral… tem vc. Sua própria história: escrita ou não, feliz ou não, valiosa ou não. As páginas estão ali, para serem reescritas, mas principalmente lidas e relidas. Não há nada mais interessante do que descobrir a vida, mas não há nada mais decepcionante do que repetir um erro.

 

 

“A incrível magia dos 30 anos” by @arianerezende

(Vou fazer trinta - texto n. 23) - A incrível magia dos 30 anos…

Confesso que uns dois, três meses antes de fazer 30 anos eu dei uma broxada total… como assim eu já tava chegando aos 30 anos? Eu não vi o tempo passar, eu queria desesperadamente voltar aos 20, aproveitar tudo que eu achava que não tinha aproveitado, queria conquistar tudo que eu achava que já deveria ter conquistado quando chegasse aos 30… onde estavam minha família formada, meus filhos, minha independência financeira e meu sucesso profissional? Em que parte do caminho eu me perdi tanto a ponto de ter saído do caminho planejado? Pra mim, naquele momento fatídico, eu me sentia uma derrotada, eu sentia o peso do fracasso nas costas e a sensação de um tempo perdido que não voltaria nunca mais.

A um passo dos 30, eu estava num relacionamento estagnado, que não atava nem desatava, ainda morando com meus pais, tinha acabado de fechar meu consultório e só contava com um emprego… tava “levando” a vida, sem perspectiva nenhuma de mudanças. Desanimada… sem iniciativa…

Mas o tempo não para, o relógio continua andando minuto após minuto, e os 30 anos chegaram. E com ele, uma faísca se acendeu. Não sei explicar o que aconteceu, mas parecia uma mágica: as coisas foram mudando, não só na minha vida, mas dentro de mim. Eu me enchi de uma coragem que até então eu desconhecia… uma oportunidade de mudança radical apareceu e eu saí da casa dos meus pais pra trabalhar a 400km de casa, fui morar com meu irmão e cunhada, novos ares, novos amigos, nova vida… A vontade de mudança foi tanta que finalmente tive coragem de terminar o meu relacionamento, que era desgastado e eu simplesmente ia “levando com a barriga”. Com isso, me senti à vontade pra paquerar, conhecer outras pessoas, me sentir mais vaidosa, mais mulher…

Hoje, à beirinha de fazer 32 anos, ainda não conquistei tudo que achei que deveria ter conquistado aos 30, mas também não me sinto mais tão pressionada pra isso… tenho um novo relacionamento, tenho paz, tenho independência financeira mesmo morando ainda com os meus pais… Ainda tenho muito o que aprender, como aprender a dizer “não” e não me sentir culpada por não agradar a todo mundo. Tracei novas metas, porque uma das “magias” dos 30 anos é justamente essa: saber que a todo momento você pode simplesmente amassar a folha de papel e começar do zero…

         Ariane Rezende

http://www.deliriosdeumadiva.blogspot.com/

Você não vale nada, mas será que eu gosto de você?

(Vou fazer trinta - texto n. 22) - Você não vale nada, mas será que eu gosto de você?

Pra quem vive na internet (desculpe se não é o seu caso, mas é o meu - pronto, comecei não valendo muita coisa), percebo que alguns valores estão pra lá de invertidos: o bonzinho é desvalorizado, gostamos dos maus AND rebeldes sem causa. E na internetium isso fica saltado aos olhos, porque nesse território todos escrevem o que querem, sem serem auditados.

Algumas pessoas tendem a demonstrar somente o lado negro de seu dia. Ninguém mais conta que ajudou a velhinha a atravessar a rua nem que pagou o almoço da criança descalça na estação do metrô. Às vezes acho que depressão dá mais ibope.

O que vemos ininterruptamente é uma avalanche de gente má: mal resolvida, mal comida, mal amada, mal educada, mal informada.

Alguém já disse isso - talvez Drummond, Lispector ou mesmo Madre Tereza, não sei -, mas uma mentira contada 361 vezes vira verdade. E quanto mais você me diz que não vale o que come, mais eu penso o quanto suas refeições estão custando!

Não vejo mais valor em você porque deu pra meio mundo nem porque furou uma fila, buzinou no trânsito, tacou fogo no índio, gritou com seu subordinado. Nós deveríamos desvalorizar isso e, na verdade, não o fazemos. Podemos no máximo ignorar quando não é conosco… whatever… Cadê teu coração e teu semancol? Esse excesso de rebeldia não enche minha barriga nem a sua. Aliás, enche meu saco.

A verdade dessa super valorização das bruxas and romanos está no fato de os cordeirinhos sonharem com uma rebelião e não terem força ou paciência para dar um passo tão grande na vida. Mas se você não pode caminhar em busca da sua felicidade, sinto muito, não há ninguém que possa fazer isso por você. 

E assim viramos seres alienados que amam quem não nos ama, que admiram o cara mentiroso pela sua habilidade de escrever fábulas, que votam no analfabeto pra protestar a sua falta de oportunidades, que acham que falar inglês não é importante porque a língua de Elis e Cazuza era o português…

Dae, aturamos as malas, os pau no koo, as vacas que não suportamos: um mundo cercado de hipocrisia AND política de boa vizinhança, mesmo com quem não é vizinho, somente porque queremos ser educados. Hã, não é essa a letra da música?!

Então, em 2011, eu desejo a todos iniciativa, autoconhecimento e ousadia… depende de você fazer o diferente, transformar-se em novo e ser feliz!  A vida te dá uma chance de fazer tudo diferente a cada dia, quando você acorda para uma nova jornada. A virada do ano é somente aquela mega oportunidade oficial no calendário para a elaboração de uma lista de metas. Bora curtir esse novo ano… Bora lá, fazer o bem nem que seja A SI mesmo!!!

A minha lista de objetivos-metas-sonhos para esse novo ano será diferente: em 2011 eu só quero é ser feliz! E desejo a vocês, que me leram e seguiram, me emocionaram e me fizeram rir, me incentivaram e inspiraram ou somente beberam na timeline comigo de madruga ou foram solidários a minha insônia por todo esse ano que passou, o mesmo: FELICIDADE ad infinitum!

Beijos, cheros e cafunés… e que venha 2011!

Superar X Esquecer X Deletar X Aprender X Amadurecer

(Vou fazer trinta - texto n. 21) - Superar X Esquecer X Deletar X Aprender X Amadurecer

Quantas vezes você já se pegou dando o mesmo conselho ao ouvir a mesma história de algum conhecido? Quantas vezes você já ouviu as pessoas dizerem que errar é humano, mas duas vezes é burrice? Quantas vezes você olhou para si pelo reflexo do espelho e disse, eu sabia?

Não passamos na vida à toa, deve ter algum propósito para estarmos todos aqui ouvindo axé e respirando ar poluído. Eu acredito que sejamos mais que carne, mais que sangue, mais que pensamentos e devaneios. Nossa estada na terra deve ser tipo um estágio: dependendo do nosso desempenho, somos promovidos. E como no estágio meia boca - patz, quem lembra do seu primeiro estágio? - nós precisamos mostrar serviço e fingir que a teoria que nos passam na faculdade nos serve pra alguma coisa.

Mais ou menos aquela história do conselho se fosse bom eu comprava no boteco. E eu já falei sobre isso por aqui, sobre as experiências alheias não nos servirem de nada, porque precisamos viver ao vivo e em cores cada minuto de nossas vidas. Mas o assunto é outro, tem a ver com aquela balela chata de terapia.

Usei muitas palavras no título que até me perdi. Mas o básico seria PERDÃO. E perdão é muito genérico. Sim, perdoamos aos outros e a nós mesmo. Perdoar alguém que não seja nós me parece mais simples. Perdoar a si mesmo me remete superação. E superaçao pra mim é ultrapassar barreiras, fazer algo de que não somos capazes ou ao menos achamos que não somos. Esquecer é coisa de velho, tomador de ácido ou gente desmiolada. E dai, quando caimos na real, ninguém esqueceu nada, só varreu a sujeira pra debaixo do tapete pra não ter trabalho e ai, o trabalho dobra.

E na realidade, acredito ser um pouco impossível esquecer de fazermos um auto-julgamento. Porque fazermos mal a nós mesmo, okay… o corpo eh meu, a vida é minha. Mas quando passamos por cima de alguém, prejudicamos terceiros, quartos, quintos… isso é muito complicado de se perdoar. Um, porque você mesmo se julga e dois, porque sempre tem um corno filho da puta pra distorcer a história e transformá-la num filme de “Hitchcock”… E as vezes, esse fiodiquenga É VOCÊ MESMO!

Lidar com sentimentos é algo muito complicado mesmo. Mas às vezes dói menos do que ficar enchendo um copo que um dia transbordará. Ai ai (suspiros) os ditados populares. Dá pra ter uma vida decente usando todos eles, jah perceberam?

Quem ama perdoa é ditado popular ou musica sertaneja? Mas então, eu não tenho nada de popular: moro num feudo, tomo veuve clicquot e como caviar (ecati)… mas vou mudar o ditado: Quem SE ama, perdoa. Mas não é assim; te perdoo, volte pra casa, vamos ter um filho, ser amigos novamente, esquecer o passado. Pra mim eh assim: te perdoo e agora morra. Mas quando o julgado é você mesmo, como faz?

O que você nao aprendeu ainda com o miojo

(Vou fazer trinta - texto n. 20) - O que você nao aprendeu ainda com o miojo

Você pode até não gostar de miojo, mas com certeza já comeu, preparou um para seu filho, serviu seu cachorro ou alimentou o bolor do armário com eles. Não importa! O miojo está inserido em sua vida há anos, quer você queira, quer não!

E ontem enquanto eu olhava um pacotinho de miojo, lembrei de como ele fez diferença na minha vida e decidi dividir isso com vocês.

Lição 1: desista do que não tem futuro » Vocês perceberam que tirando aquele sabor horrendo de picanha e o de feijao, há algum tempo não vemos um tempero novo pra misturarmos ao macarrao? As “fazedoras” de miojo já não investem mais em lançar novos sabores, simplesmente porque a maioria de seus consumidores não usa o pozinho de pirlimpimpim! Então faça o mesmo, abandone a faculdade que não gosta, largue aquele cara que não te faz feliz, delete os amigos que te sugam. É muita energia pra nada… Deixe suas forças pra quando quiser lançar um pó de sabor incrivel em sua vida!

Lição 2: três minutos podem ser uma eternidade » Quando você não tem tempo algum (não vou falar de viver e morrer porque acho piegas), nossa, 3 minutinhos é muita coisa… Dá pra lavar o cabelo, passar um rimel caprichado, arrumar uma cama, cantar uma música pra recarregar as energias… Também dá pra perder um avião, se desencontrar da sua alma gêmea no shopping, perder o horário do banco… Cuideee de tds os segundos que estão no seu dia. Carpe diem! Tempo é dinheiro, coma miojo cru!

Lição 3: Um real é muito dinheiro pra quem não tem um centavo » eu tenho uma péssima mania: sempre digo mas é soh uma cervejinha ou a entrada eh barata. Mas é o que eu sempre digo: pra quem está com pressa e pobre, miojo é demorado e caro. Fica dica!

Lição 4: Sempre tem um filho da puta » por pior que seja uma idéia, um corte de cabelo, um sabor, uma piada, sempre tem um dignissimo fiodikenga que copia… Hoje temos umas cópias do verdadeiro miojo, mas me diz? Pra que? Porque tudo se copia, nada se cria! Então, se ninguém te copia, tem que vê issae…

Lição 5: Nada é tão ruim que não possa piorar » vocês já viram que existe embalagem mega ultra super blaster giga big dessa massa espetacular? Simmm, pra fazer uma gororoba coletiva para muitos indivíduos famintos AND bebados recém chegados da balada!

Liçao 6: Aprenda a lidar com o fracasso » sim, é possível errar o ponto do miojo. Porque massa boa é aquela al dente, mas POTA QUE PARIU… todo mundo esquece o miojo na panela e quando vai ver ele está semi pastoso, degringolado, desfalecido… o que já não era muito bom, pode ficar pior! Se você não usa aquelas galinhas que apitam na cozinha que o povo vulgarmente chamada de cronômetro, prefira usar o microondas!

Lição 7: o império não é eterno » hoje é muito comum as mulheres mandarem embora de casa seus filhos ou marido bundões, porque afinal de contas queimar sutiã em praça pública é mais ou menos equivalente ao Popaye comer espinafre (ele nunca comeu a olivia palito será?). Com a solidão masculina em voga, a industria de semi-alimentos descobriu um nicho de mercado: o de alimentos mais ou menos para homens mais ou menos. E assim, o miojo foi trocado por coisas não tão baratas (foda-se, porque homem sem mulher fica mais rico mesmo, isso é FATO), mas igualmente insossas: HOT pocket, HOT woman AND HOT beer!

Lição 8: o que você fez da sua vida » Até o miojo está na wikipédia, juntamente com carla perez e MC catraca… E você tava fumando maconha enquanto esse povo dominava o mundo. PELOAMORDEDEUS, vá cuidar da vida!

Lição 9: enquanto você respira um japa estuda » MEO, isso é mito! Enquanto seus pais tentavam te fazer, um japa inventava um breguenaites de preparo rápido, porém de gosto duvidoso. Sim, Deus é brasileiro mas o miojo N Ã O. Calma, a culpa de tanto talento dos olhos puxados não provem das aulas de kumon e sim da inspiração americana, OBEVEO. O miojo surgiu para alimentar o povo japonês no pós-guerra. Japoneses e americanos dominando o mundo e você aí lendo meus textos.

Lição 10: requeijão melhora tudo » requeijão melhora tudo. FIM.

amorempixels:

Dormir no teu colo é voltar a nascer, violeta e azul outro ser. Luz do querer. (João Bosco)

amorempixels:

Dormir no teu colo é voltar a nascer, violeta e azul outro ser. Luz do querer. (João Bosco)

Dividindo as despesas

Tarde de terça-feira, ele liga e te convida pra jantar na quinta (homem sábio né, porque ligar aos 45 do segundo tempo é um pouco indelicado – não nascemos depiladas, de cabelo liso e de lingerie sexy)! Pronto, ligue o taxímetro que os gastos começaram…

Você pega seu celular e manda sms para as amigas contando a novidade. Enquanto segue a vida e tenta não surtar, liga para seu guru “sexsentimets” e disserta sobre o cara, o convite e seus planos. Escuta atentamente os conselhos e fofoca um pouco. Em seguida liga pro salão, pra depiladora e desmarca o compromisso com sua mãe na noite do encontro. Antes de voltar pra casa, vai ao shopping pra cuidar do traje do evento. Perde muito tempo, se irrita e quase chora no provador que mostra todas aquelas celulites que você não tem. Arrasada, compra uma nhá benta e jura que fará uma hora esteira. Passa na loja que vende peças de renda mínimas e torna-se proprietária de um lindo bojo, já que a gravidade insiste em ser 9,8. Casa. Banho demorado, animada com o convite. Usa aquele creme da Dior pra celulite q nunca passou. Toma uma taça de vinho e cama. Acaba terça. Você acorda. Já é quarta. Focada, você faz uma sessão de drenagem e passa no mercado para comprar 3 litros de chá verde. Trabalha. Alfafa de almoço. Volta pra casa e outro banho. Correr pra depilação. Casa novamente e banho novamente (sim, depilação neam!!). Esteira. Banho. Creme da Dior. Vinho. Dorme, acorda. Bem vinda quinta-feira! Trabalha mais ou menos e se manda pro salão toda trabalhada no chá verde, melão e diurético… Novamente liga pro guru, conta da roupa, da cor do esmalte, da dieta fail e blah blah blah. Casa, banho, maquiagem leve, perfume e super produção. O telefone toca e vocês finalmente se encontram. Jantar bacana, papo agradável, vinho, tesão, mais vinho, risadas. A conta. Chega o carro. Motel. Acaba quinta. Chega sexta. Bom dia com café da manha juntos. Voltemos à rotina normal.

- vestido = 200$

- conjunto de lingerie e meias 7/8 = 200$

- drenagem linfática = 50$

- depilação = 70$

- hidratação + escova + pé + mão + sobrancelha = 140$

- jantar = 250$

- motel = 200$

 

Claro que não é possível mensurar o dano moral de ver as celulites em high defininition. Muito menos a insalubridade da dieta maluca. A dor da depilação, alguém se atreve a avaliar? Muito menos quanto custou todos os chás, chocolates, sms e ligações. Isso fica como faixa bônus!

Identificou quão oneroso é o inicio de um romance? Vamos valorizar e recusar quando, por educação, nos oferecemos pra dividir a conta?


Eu sei que nem sempre compramos lingerie e roupas novas. Mas o motel nem sempre é 5 estrelas.

Borracha só apaga lápis

(Vou fazer trinta - texto n. 19) - Borracha só apaga lápis

 

Uma vez uma sábia pessoa me disse o seguinte: amiga boa é aquela que carrega borracha na bolsa. Simples seria viver dessa maneira: errou, chama a amiga e apaga tudo. Infelizmente na prática não é assim que funciona. Mas o brasileiro é assim. Se agarra ao fato da memória curta e segue o baile.

 

Lembrei disso ao ler que a decisão judicial sobre o caso Xuxa X Google. Em decisão provisória, exigiu-se que o site retire as buscas que associam o nome da apresentadora à pedofilia. Mas eu me pergunto? Quem fez o filme? Xuxa foi induzida a fazer a cena pelo google? O que a empresa tem a ver com essa situação? E assim como Collor volta à política, Xuxa vence a primeira batalha da guerra.

Não somos poderosos nem amados como a loira, nossa realidade é diferente da dela. Aliás, nossa vida é real; a dela, conto de fadas. Pra nós, simples mortais, aqui se faz, aqui se é julgado e aqui se paga. Isso vale pra tudo na vida, no pessoal e no profissional. Vale para nossos atos e palavras. Não estou pedindo que sejamos perfeitos, apenas que sempre tentemos fazer o melhor e quando isso não for possível, devemos reconhecer que erramos, consertar ou pedir desculpas e continuar com a vida. Mas exigir que nossos maus atos sejam apagados é demais! Colocar-se no lugar do próximo sempre funciona…

Mas a maioria não está nem ai. Não se importa o que deixa de rastro, nem em quem passa por cima para crescer, nem com o peso que possivelmente terá que conviver. Não precisamos nos importar com o que os outros pensam, somente entender que uma hora ou outra nós mesmos nos julgaremos. A rainha dos baixinhos não acha correto o que fez, sente vergonha e por isso tenta fazer com que os textos, vídeos e fotos sejam excluídos da face da terra. Isso é mais comum do que imaginamos. É assassino virando crente, político mudando de partido e as personagens da TV repugnando seus apelidos. Mas ninguém pensou que uma hora iriam enfrentar a si mesmos e que sentiriam vergonha do que foram.

Sim, há perdão, é possível recomeçar… mas apagar é impossível. Mesmo que ninguém mais comente, no nosso íntimo sabemos o que fizemos e quanto nos custou chegar até ali!

 

Somente os loucos acreditam na mentira contada mil vezes, eu não!

Aula de Economia

(Vou fazer trinta - texto n. 18) - Aula de economia

 

Quem não me conhece talvez imagine que irei falar de economia doméstica e quem realmente me conhece já imagina que não falarei de números, índices e percentuais. Embora seja administradora por formação e acadêmica do curso de direito, não me interesso por assuntos desse tipo, muito menos tenho domínio sobre eles. Enfim, falarei do de sempre, nosso arroz e feijão: relacionamentos.

 

Às vezes em nossas vidas as pessoas nos dão a chance de não odiá-las e também de não sermos odiados. Sutilmente se afastam, saem de nosso campo de visão, somem da estratosfera pra simplesmente ECONOMIZAR ou ela ou você! Talvez os santos não batam, não haja afinidade ou nada em comum! Não gostamos de alguém de graça e, para não fazer carnaval, nos afastamos ou nos pronunciamos sutilmente.

E ai, achou fácil? Identificou situações em sua história que remetam o assunto? Eu sei claramente quando fiz ou fizeram acontecer ECONOMIA em minha jornada curta, mas proveitosa de vida. Passou batido e eu não senti falta e certamente não fiz falta também. Não escolhi e não fui escolhida. E assim, como já falamos tantas vezes, a vida é feita de escolhas. Ponto.

Não, não há ponto, porque infelizmente há pessoas que precisam provar aos outros a que vieram, precisam provar que são bacanas, sinceras, divertidas e honestas… e quando você tenta educadamente excluí-la de sua vida ela não entende. Se ofende e muitas vezes TE ofende somente para provar o que nem ela acredita sobre si mesma: EU SOU LEGAL! Me ame!

Pessoas com necessidade de “aprovação” na vida não se aprovam, não se aceitam, não se entendem… Sem chaises de analistas, sem papinho bobo… somente não se aceitam porque não são!

Eu sei que o planeta está cheio de competição e a cada dia fica mais difícil provarmos que somos capazes. Mas eu não estou falando de talento, cérebro, dom, criatividade, diploma… estou falando de essência. Estou falando daquela pessoa que somos quando estamos sozinhos com nós mesmos, quando estamos sem telefone, computador, sem música, sem nada… daquela pessoa que somos ao natural, sem máscaras ou artifícios. Quem realmente é você num papo numa ilha deserta?

 

Ao ser excluído da vida de alguém, suma… não fique lá mendigando carinho em migalhas… não seja aceito por pena! Quem tem pena é galinha. E galinha ou cacareja demais ou é puta!  E o mesmo vale para alguém que não te serve. Deixe esse ser de lado, o empurre devagarinho. Mas não o faça acreditar que ele faz parte do seu mundo. Muitas coisas não te servem e assim são as pessoas: algumas nos completam, outras só fazem volume.

 

Se poupe, se economize. Poupe e economize o próximo também.

As grades da vida

(Vou fazer trinta - texto n. 17) - As grades da vida

 

Cada pessoa tem necessidades, sonhos e desejos diferentes. Como diria um amigo: cada um é cada um e vice-versa.

Devemos separar nossas necessidades de acordo com o grau de importância que elas têm para nós, de acordo com as metas que traçamos.

Acredito que uma das poucas prioridades que estejam na vida de todos seja a liberdade. Uns prezam a liberdade expressão, outros a liberdade de ir e vir ou a liberdade de escolha. Mas, apesar de sabermos muito bem o que queremos, muitas vezes nós mesmos boicotamos nossas vontades, passando tudo o que julgamos importante para trás.

Alguns se prendem em relacionamentos infelizes, por medo de ficarem sozinhos; em profissões que os deixam frustrados, por medo de arriscar; em amizades sufocantes, por medo de magoar; em mentiras dolorosas, com medo da verdade. E assim seguem na busca sem fim pela felicidade, mesmo sabendo que no fundo nunca irão encontrá-la. Apesar de terem certeza de que a felicidade se encontra cada vez mais distante da realidade, relutam para sair da zona de conforto. Fecham os olhos e seguem em frente.

Tudo que exige esforço e renuncia será desgastante. Mas no final da jornada a sensação de alívio é imensa. Tirar fardos dos ombros funciona como injeção de energia e nos revigora. Reconhecer um erro e voltar algumas casas do jogo não significa perder, jogar a toalha. Significa somente adotar uma nova estratégia.

Isso se assemelha a sapatos xexelentos e apertados. Ninguém consegue passar a vida com um sapato que machuca os pés. Ninguém consegue passar a vida com um sapato feio somente porque ele  é confortável. Podemos até fazer isso em uma emergência. Sempre, não é aceitável. Você pode até conseguir andar com os pés doendo, mas quando precisar correr preferirá a morte.

Então, não é aceitável, mas algumas vezes fazemos. Sabe por quê? Porque quando passamos um, dois, três dias com esses sapatos, acabamos não dando importância ao fato. Somente nos adequamos à situação. Nos acostumamos, só isso… mas os dedinhos ainda doem e as pessoas ainda comentam que o seu sapato é feio!

Se descubra, faça planos e arrisque. Se jogue no mundo de alma leve e lavada. Ninguém está na terra para ter uma vida café com leite.  Não jogue fora o que não te serve mais. Apenas deixe isso como marquinhas da vida na sua estrada. Aprenda e cresça com os erros, valorize a vitória e tire já esse sapato medonho com a sola gasta dos seus pés.

 

Saia de trás dessa grade que você mesmo impôs na sua vida! Há um mundo lindo aqui fora esperando pelos seus pés descalços.

Poderes

(Vou fazer trinta - texto n. 16) - Poderes

Se você leu o título do texto e achou que eu fosse falar de pompoarismo, pole dance ou sexo tântrico, sinto muito, vou te decepcionar. Falarei do poder que temos de valorizar o que não tem valor algum. Calma ae, vou desenhar.

Estou entrando em um novo relacionamento ou me apaixonando novamente ou sei lá, vocês entenderam, e em nossas conversas uso muito o termo INSUPORTAVEL. E o pior, o uso quando estou me referindo a mim, isso mesmo, euzinha. Eu sou insuportável porque tem umas coisas que eu não suporto (lógica). Ta bom ta bom ta bom, não são umas coisa, são várias.

Eu odeio cafuné, me dá aflição, sabe, tipo gente que não gosta de cafuné. Não suporto telefone, muito menos quando falam com outras pessoas enquanto eu sou a otária que espera na linha. Não gosto de apelidos comuns, aqueles que todo mundo tem: amor bebe, more, linda, vida, chuchu, abobrinha, tomate. Não gosto de escolher os lugares aonde vamos, isso vem do meu lado machista eu sei, mas gosto de ser conduzida. Não gosto também de exposição, de cena de cinema, de micos em publico, de tirar fotos, de receber ligações o dia todo, de dar satisfação, de gente que faz nhem nhem nhem, de quem fala que nem nenem, de tomar banho junto, de transar em lugares inusitados, de depilações revolucionárias, de cuecas pretas, de homem que usa regata, de ervilha, cheiro verde e morango.

Identificou-se… então, sinto muito, você tem o poder de saber o que te torna infeliz. E acho que, como eu, não conseguiu identificar pequenas coisas que colocam sorrisos imediatos em seu rosto. Como ser feliz se não sabemos o que nos torna felizes? Será que deixamos a felicidade passar despercebido porque não sabíamos identificá-la? Não, isso não… porque quando o amor verdadeiro aparece em nossas vidas, nós sabemos… assim espero!

Mas o que eu quero dizer é que perdemos a chance de curtir e ser feliz, mesmo em uma relação fadada ao fracasso. Porque na vida existem momentos preciosos que deveriam estar em nossa memória, mesmo eles fazendo parte de outra relação, de outra época, de outra vida. E, esse modo exigente, arrogante e prepotente nos impede de guardar ternas lembranças em nossos corações. Sim, muitas vezes valorizamos só o que não temos. A grama do vizinho é sempre a mais verde.

Mas talvez verde nem seja a cor ideal para o seu gramado. Talvez ele nem seja de grama, talvez você tenha uma bela praia te esperando ao abrir sua porta e nem pode aproveitá-la. Porque né, a inveja que sentiu do seu vizinho te fez viver num casulo e você não pode conhecer o seu quintal!!!

E ai, quais os poderes que seu amor tem que ter pra você se sentir numa praia?